O Navegador e o Ouro
Um grande navegador passava pela costa de uma ilha que ele nunca visitara.
Como aquela rota era caminho dos antigos piratas, resolveu ancorar sua
embarcação a fim de explorar um pouco a ilha e, quem sabe, encontrar nela
um tesouro escondido.
Ao desembarcar, ficou maravilhado com tanta beleza natural. Logo iniciou a
busca de alguma pista que o levasse ao possível tesouro. Não demorou
muito para perceber uma marcação no tronco de uma arvore, indicando
medidas e local de algo que poderia vir a ser um tesouro enterrado.
Entusiasmado com a descoberta, prosseguiu em sua busca até chegar ao
local indicado. Segundo as instruções, uma arvore precisava ser derrubada
e depois era necessário cavar cinco metros abaixo de sua raiz para atingir o
tesouro. Feito isso, o navegador encontrou uma caixa de metal contendo
muito ouro.
Feliz com sua descoberta, procurou voltar ao navio levando consigo o
tesouro. Como o ouro pesava muito, cortou alguns troncos de arvore,
amarrou-os e colocou o tesouro em cima para assim poder chegar até
onde o navio estava ancorado.
Na volta para casa, já bem distante da ilha, foi pego de surpresa por uma
tempestade. Mesmo sendo um navegador experiente, não conseguiu
controlar a embarcação e acabou naufragando.
Desesperado, pensou em como salvar o ouro, mas logo percebeu que
aquele momento o mais importante era a sua sobrevivência. Assim teve que
desprezar o ouro, que afundou junto com o navio. Sobrou apenas,
flutuando no meio do mar, a madeira que ele havia cortado para transportar
o tesouro ate o navio. Foi graças a ela que o navegante se salvou.
Enquanto aguardava por socorro, ele se manteve boiando, agarrado aos
troncos. Nesse momento ele pensou:
"O ouro, ao qual eu dava tanto valor, foi para o fundo do mar. Se eu
tivesse me agarrado a ele, também teria afundado. Entretanto os troncos
das arvores, que eu julguei não terem valor algum, salvaram a minha vida.
Algumas vezes aquilo a que você se apega é justamente o que o está
afundando. Só depois de uma tempestade é que você vai descobrir o que
vale a pena ser valorizado ou desprezado.