GLOSSÁRIO VII


TITIKSHA Austeridade física e mental
TYAGA Renúncia ao egoísmo e mesquinhez
UPANISHAD Escritura Sagrada que constitui a parte filosófica dos Vedas. Os Upanishads ensinam o conhecimento de Deus e relatam as experiências espirituais dos sábios da Índia antiga. Dos 108 Upanishads preservados, os dez principais são: Isha, Kena, Katha, Prasna, Mundaka, Mandukya, Chandogya, Brihadaranyaka, Aitareya e Taittiriya. Como encerram cada um dos quatro Vedas, tornaram-se conhecidos como Vedanta, ou seja, o final (anta) dos Vedas
UPARATI Saciedade. Estado de auto-retraimento
UPASANA Culto figurado ou abstrato
VEDA A Escritura Sagrada mais antiga e mais importante dos hindus, considerada pelos ortodoxos como revelação direta e autoridade suprema em todas as questões religiosas. Há quatro Vedas: Rig, Yajur, Sama e Atharva, cada qual consistindo de uma parte dedicada aos rituais, ou "trabalho", e outra dedicada ao "conhecimento". Cada parte ritual consiste de: 1- Samhitas (uma coleção de mantras ou hinos, muitos dos quais dirigidos a deidades como Indra ou Varuna); 2- Brahmanas (relacionados a detalhes de ritos sacrificiais e deveres e regras de conduta específicos); 3- Aranyakas (ou tratados da floresta, que destacam a interpretação espiritual de ritos e cerimônias religiosos). Cada parte relativa ao conhecimento compreende Upanishads. A parte ritual é conhecida como karma kanda, e a filosófica como jñanakanda
VEDANTA Lit. "final do Veda". Sistema religioso e filosófico desenvolvido a partir dos Upanishads, os ensinamentos finais dos Vedas. Nesse sentido, trata-se da base comum de todas as seitas religiosas da Índia. Do ponto de vista estritamente filosófico, a Vedanta é um dos seis darshanas (sistemas do pensamento hindu ortodoxo) e baseia-se nos Vedanta Sutras. Com suas várias interpretações (dualista, monista qualificada, pluralista, realista e monista), a Vedanta ensina que o objetivo da vida humana é realizar a Realidade Última, ou o Supremo, aqui e agora, por meio da prática espiritual. A palavra Vedanta pode referir-se exclusivamente ao aspecto não-dualista da filosofia, a Vedanta advaita, que afirma que o universo multifacetado de nome e forma é uma interpretação errônea da Realidade Única, a qual é chamada Brahman quando vista como transcendente e Atman quando considerada imanente. Uma vez que é omnipresente, essa Realidade deve estar dentro de cada criatura ou objeto; portanto, o homem é essencialmente divino. A experiência supraconsciente direta de sua identificação com Atman-Brahman liberta o homem de todos os laços mundanos que ele superpôs à sua verdadeira natureza, e concede-lhe a perfeição espiritual e a paz eterna. A Vedanta aceita todos os grandes mestres espirituais e os aspectos pessoais ou impessoais de Supremo venerados pelas diferentes religiões, considerando-os como manifestações da Realidade Única. Por demonstrar a unidade essencial na origem de todas as religiões, a Vedanta serve como arcabouço filosófico dentro do qual toda verdade espiritual pode ser expressa. As três principais escolas de pensamento da Vedanta (algumas das quais também se encontram em outras religiões) são: 1- Dvaita (dualista, voltada para a adoração de Deus Pessoal ou adoração a qualquer Ideal Divino); 2- Vishishtadvaita (monismo qualificado, ou atenuado, ensina a imanência e transcendência de Deus: "Vivemos, movemo-nos e temos nossa existência em Deus"); 3- Advaita (literalmente: não-dual, ou seja, monista; ensina a unidade espiritual; "Eu e Tu somos um"). Essas três concepções, que não são contraditórias entre si, constituem etapas sucessivas na realização espiritual, como Sri Ramakrishna destacou, sendo a terceira e última alcançada quando o aspirante perde toda consciência de si na união com o Supremo. Para ilustrar as três atitudes, Sri Ramakrishna citava as palavras dirigidas a Sri Rama por Hanuman: "Quando me considero como um ser físico, Tu és o Senhor e eu o servo. Quando me considero como um ser individual, Tu és o todo e eu uma das partes. E quando me realizo como o Atman, sou um conTigo."
VIDYA Conhecimento
VIKSHEPA Inquietude da mente
VIRAT Corpo físico cósmico
VISHNU Lit. "o todo-penetrante". Divindade que forma a Trilogia hindu com Brahma e Shiva; Deus considerado sob seu aspecto protetor e conservador da criação. Como Ideal Escolhido dos vaishnavas, Vishnu representa não só o aspecto conservador de Ishvara, mas o próprio Ishvara (Brahman unido a Maya, seu poder; Deus com atributos; Deus Pessoal). Entre as muitas formas de Vishnu, é familiar a de quatro braços, segurando o disco, a clava, a concha e o lótus. Outra forma é o shalagrama (pedra oval com certas marcas, de formação natural, encontrada no leito de certos rios da Índia, sobretudo no Gandaki). Segundo a doutrina do avatar (encarnação divina), Vishnu aparece na terra quando necessário para o bem do mundo.