Sua Vida



* Aos quatro anos, surpreende a família ao explicar, em linguagem médica, o aborto de uma vizinha: "O que houve foi um problema de nidação inadequada do ovo, de modo que a criança adquiriu posição ectópica", informação que lhe foi soprada aos ouvidos por um espírito. Parentes acharam que Chico tinha tido uma alucinação.

* Chico fica órfão de mãe aos cinco anos. A família se divide, e os nove filhos de João Cândido vão morar com os parentes e amigos. O pequeno Chico passa a viver com a madrinha Rita de Cássia e o padrinho José. Permanece com o casal por dois anos.

* Durante esse tempo passa por dolorosas experiências. Acreditando que o afilhado tem o diabo no corpo, já que lhe conta suas visões do outro mundo, a madrinha surrava-o com vara de marmelo e chegava até a lhe enterrar garfos na barriga.

* Como consolo, o menino passou a ter visões da mãe no quintal da casa da madrinha, onde costumava se refugiar para rezar. A mãe lhe anuncia que um anjo bom logo apareceria para ajudá-lo.

* Pouco tempo depois, o pai casa-se novamente. A nova esposa, Cidália Batista, exige que os filhos do primeiro casamento do marido venham a morar com ela. Logo após o casamento, Cidália decide colocaras crianças no colégio. Sem recursos, resolve cultivar uma horta, para que, com o dinheiro da venda das verduras e legumes, pudesse comprar o material escolar. Chico fica encarregado de comercializar os produtos.

* Com o passar do tempo. Chico começa a ter um contato cada vez mais frequente com os espíritos. Nas missas, pela manhã. Vê figuras reluzentes transformarem hóstias em focos de luz e pessoas já mortas trazendo rosas nas mãos. Relata o que vê e o que ouve, mas, seu pai pensa qu ele está louco. Cogita em interná-lo em um hospício. Chico escapa da camisa de força por obra do vigário de Pedro, Leopoldo Sebastião Scarzello, que sugere a João Cândido colocar o menino para trabalhar na fábrica de teceidos de Pedro Leopoldo, qu estava empregando crianças para o turno da noite, reforçando, assim, assim, o pequeno orçamento doméstico da família.

*Aos nove anos, inicia uma dra jornada. Às três horas , entrava na fábrica, onde desempenhava a função de tecelão até a uma da manhã. Dormia até 06h, ia para escola, saía às 11h, almoçava, dormia uma hora depois do almoço e retornava à pesada rotina.

* Em 1922, o país comemorava o centenário da Independência e o governo de Minas instituiu vários prêmios para redações sobre o tema. No grupo escolar de Pedro Leopoldo, Chico, já entrando na adolescência escreve, ditado por um ser invísivel o seguinte: "O Brasil, descoberto por Álvares Cabral, pode ser comparado ao mais precioso diamente do mundo..." Chico comentou a visão com a professora, D. Rosário, que não lhe deu crédito, mandando-o retornar à carteira e terminar a redação. O trabalho recebeu menção honrosa da Secretária de Educação de Minas, mas, os colegas de Chico, desconfiando que ele havia copiado o texto de um livro, desafiaram-no a fazer um exame público para que comprovasse sua capacidade de redação. Sortearam-lhe um novo tema, mais difícil: "Areia". O misterioso Ser surge novamente e lhe dita: Ninguém escarneça da criação. O grão de areia é quase nada, mais parece uma estrela pequenina refletindo uma o sol de Deus..." Chico concluiu o primário em 1923, tendo repetido o último ano por problemas de saúde: dificuldades respiratóriaas, decorrentes da poeira de algodão da fábrica de tecidos, onde trabalha.

* Depois disso, Chico passou a escrever crônicas e poesias. Esses seus primeiros trabalhos foram publicados em jornais e revistas, principalmente no jornal das moças, No Suplemento literário de O Jornal, na Gazeta de Notícias e até em um jornal português, assinava-os com o nome de F.Xavier.

*Enquanto isso, Chico vê a família crescer. A nova mãe lhe dá mais cinco irmãos. Com a saúde prejudicada em função da longa jornada de trabalho, Chico tenta outra atividade. Passou a trabalhar no Bar do Dove, de Claudomiro Rocha, onde varria o chão, lavava louça e cozinhava.

* Com um salério reduzido, que não lhe permitia comprar um par de sapatos, trocou o Bar do Dove, onde trabalhou 02 anos, pelo armazém do padrinho José Felizardo Sobrinho. Apesar de ter que trabalhar como balconista daas 7 às 20 horas, a exigência fisíca é muito menor que na fábrica de tecidos e o pagamento maior que no bar.

* Em maio de 1927, uma da irmãs de Chico, Maria Xavier, sofre terrível desequilíbrio mental, apontado pelo médium como sendo obssesão. Até então ele como toda a sua família, seguia os preceitos da Igreja Católica: como não houve solução paa o caso através do sistema tradicional - a medicina - foi requisitado o auxílio espirita, prestado por José Hermínio Perário e pela esposa Carmem Pena Perácio, médium dotada de raras faculdades. Depois do adequado tratamento, que contou com a orientação espiritual da mãe de Chico, Maria João de Deus, que desencarnada, enviava mensagens para a filha através de D. Carmem, a moça retornou a casa recuperada, com saúde e feliz. Esta foi a primeira ocasião em que Chico tem contato com a filosofia do espiritismo: conhece o Evangelho Segundo o Espiritismo e o Livro dos Espiritos, de Allam Kardek. Aprende então o que é mediunidade.

* Em 1927, ele ajuda na fundação do primeiro centro espirita de Pedro Leopoldo, num barracão onde morava o irmão de Chico, José Xavier que assume a presidência. Chico se torna Secretário e seu patrão José Felizardo, o tesoureiro. O local recebe o nome de Centro Espirita Luiz Gonzaga, em homenagem ao santo do mesmo nome. A primeira mensagem que Chico recebe é da mãe, Maria João de Deus.

* O Centro Espirita Luiz Gonzaga muda para um espaço mais estruturado e passa a funcionar, a apartir de 29 de outubro de 1928, numa sala alugada na casa de José Felizardo Sobrinho, com a seguinte programação: "às segundas, quartas e sextas-feiras, sessões públicas de estudo e divulgação da doutrina espiríta-scientifica-christã. Às quintas, sessões privadas e de caridade", segundo ato de fundação.