O Que são Médiuns?
Médiuns são todos que sentem, de alguma maneira, a presença dos
espíritos, independente da intensidade e da diversidade dessas
manifestações. Segundo a doutrina, essa faculdade é inerente ao ser
humano e não constitui privilégio de ninguém, pois todas as pessoas
possuem mediunidade mesmo que em "estado rudimentar".
Os médiuns mais desenvolvidos acabam se sobressaindo e recebem a
denominação com mais freqüência, dando a falsa impressão de que são a
minoria. Os médiuns tem, na sua maioria, faculdades especiais de captação
das manifestações espirituais, fazendo que eles se tornem diferentes entre
si ao se expressarem. As principais variedades dessas manifestações estão
relacionadas a seguir:
Médiuns de efeitos físicos: produzem fenômenos materiais como
movimentação de objetos, ruídos, batidas, etc.
Médiuns sensitivos ou impressionáveis: são capazes de sentir a presença
dos espíritos através de arrepios ou de uma impressão da sua presença. Ao
desenvolverem essa sensibilidade, podem até identificar se o espírito é
bom ou ruim.
Médiuns audientes: são capazes de ouvir as vozes dos espíritos e de
conversarem com eles. A boa conversa depende de uma presença boa; um
"mau"espírito pode trazer transtornos ao seu ouvinte.
Médiuns videntes: possuem a faculdade de ver os espíritos. Raramente esse
tipo de mediunidade se manifesta por um longo período. Essa visão não é
propiciada pelos olhos, e sim pela alma, o que torna possível a alguns
cegos desenvolverem esta sensibilidade.
Médiuns sonâmbulos: são dois tipos de sonâmbulos: os sonâmbulos
propriamente ditos, que antecipam seu estado de espírito ignorando a
matéria, e os médiuns que servem de instrumentos, nos quais as vontades
manifestadas não são as vontades dos seus próprios espíritos.
Médiuns curadores: são capazes de curar com um simples toque, uma
prece, um olhar e sem qualquer medicação. É uma faculdade espontânea,
não havendo necessidade do médium estar preparado por estudos de
medicina ou formas de magnetização.
Médiuns pneumatógrafos: são aqueles que recebem diretamente dos
espíritos mensagens por escrito. Essas mensagens podem ser frases
completas, desenhos ou alguns poucos traços. Para o médium
pneumatógrafo, o lápis é dispensável, o que o difere do médium escrevente.
É uma mediunidade muito rara que requer oração e concentração.
Médiuns escreventes: são aqueles que recebem mensagens por escrito. A
psicografia, mais comum, fornece uma vasta literatura e possibilita uma
comunicação, entre os encarnados e os desencarnados, essencial ao estudo
e formação espírita.
Muito se tem comentado a respeito de ser ou não ser o Espiritismo uma
religião. Contribuindo para a iluminar um pouquinho mais as sendas do
estudo doutrinário, eis um trecho bibliográfico, a respeito do assunto:
"A prova das razões por que Kardec evitou a palavra religião, para definir
o Espiritismo, nos é dada pela sua própria confissão, no discurso que
pronunciou na Sociedade Espírita de Paris, a primeiro de novembro de
1868: Por que então declaramos que o Espiritismo não é uma religião?
Porque só temos uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e
porque, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da palavra culto
revela exclusivamente uma idéia de forma, e o Epiritismo não é isso. Se o
Espiritismo se dissesse uma religião, o público só veria nele uma nova
edição, uma variante, se assim nos quisermos expressar, dos princípios
absolutos em matéria de fé, uma classe sacerdotal com seu cortejo de
hierarquias, de cerimônias e de privilégios; o público não o separaria das
idéias de misticismo e dos abusos contra os quais sua opinião se tem
levantado tantas vezes.
Essas palavras de Kardec, ao mesmo tempo afirmam a natureza religiosa do
Espiritismo, já implícita na própria Codificação, e negam a possibilidade
de sua transformação em seita formalista.... daí a afirmação de Kardec,
feita em O LIVRO DOS ESPÍRITOS e repetida em outras obras,
particularmente em O QUE É O ESPIRITISMO, de que este, na verdade,
é o maior auxiliar das religiões... sua finalidade não é combater, contrariar,
negar ou destruir as religiões, mas auxiliá-las....justamente por isso, o
Espiritismo se apresenta, aos espíritos formalistas e sectários, como um
adversário perigoso, que parece querer infiltrar-se nas estruturas religiosas e
miná-las, para destruí-las. Era o que parecia o Cristianismo primitivo
para os judeus, gregos e romanos..."
( Trecho extraído do livro O ESPÍRITO E O TEMPO, de autoria de
J. Herculano Pires, coleção científica Edicel, Ed. Edicel, 7a. Edição,
páginas 159, 160, 169 e 170)